Por: Erika Ventura
A automação deixou de ser tendência para se consolidar como eixo estratégico de crescimento na GTF. Segundo Dione Cazanti, diretor industrial do grupo, a modernização das plantas industriais tem impacto direto na capacidade produtiva, na padronização dos processos e na elevação do padrão de qualidade dos produtos, fatores decisivos para ampliar competitividade no mercado interno e nas exportações.
Hoje, diferentes etapas do processo in-dustrial já operam com alto nível de au-tomação nas unidades do grupo no esta-do do Paraná. Na planta de Maringá, por exemplo, a sala de cortes automatizada
realiza cortes completos da ave, incluindo desossas de coxa e sobrecoxa, além de en-tregar meio filé de peito em padrão apto à exportação. O ganho está na uniformidade e no fluxo contínuo da produção.
Na unidade de Paraíso do Norte/PR, a implantação de uma sala automatizada para produção de itens em bandejas com peso específico de 1 kg abriu espaço para um mercado que antes não era explora-do pela companhia. Já nas unidades de Paranavaí e Terra Boa, também no Paraná, a instalação de túneis girofreezer, que con-gelam cortes individualmente no padrão IQF (Individual Quick Freezing), permite a embalagem automática com peso exato, agregando valor ao produto e ampliando o mix ofertado. De acordo com Cazanti, entre os principais resultados operacionais estão a depen-dência de mão de obra manual, maior produtividade, padronização dos cortes e ampliação do portfólio. Para o diretor, ajustes nas estratégias e no treinamento do time também são importantes para o sucesso das implementações. “Quando a empresa toma a decisão de automatizar os processos, com certeza ela precisa pensar na mudança comportamental de seus cola-boradores, pois eles precisam se adaptar a essa mudança. A empresa precisa dar todo o suporte e desenvolvimento a equipe. Existe uma mudança de perfil, que passa ser mais técnico, estratégico e não opera-cional. Então, planos de desenvolvimentos são intensificados para que tenhamos esses profissionais disponíveis dentro de casa, já que dar oportunidades para pessoas que já trabalham na GTF é uma premissa da área industrial da empresa”, enfatiza Cazanti.
A análise de dados em tempo real também ganha protagonismo. Sistemas automa-tizados geram informações instantâneas que orientam as equipes na correção de desvios antes que se tornem irreversíveis. Para os próximos anos, a expectativa é expandir as automações para unidades ainda operando com processos manuais e investir em novas linhas de produtos industrializados, ampliando o portfólio e agregando valor.
A mensagem para frigoríficos que ainda enxergam automação e inteligência artifi-cial como algo distante é direta: trata-se de um caminho sem volta. Em um cenário de escassez de mão de obra, tecnologia sig-nifica continuidade produtiva, maior con-trole, acesso a novos mercados e decisões mais rápidas, um diferencial que impacta diretamente a perenidade do negócio.