De um box de mercado a grande exportadora de carne

Masterboi, em São Geraldo do Araguaia, Pará

Por: Juçara Pivaro

Uma empresa do setor de frigoríficos que iniciou sua trajetória no box 77 do Mercado de Afogados, em Recife, comercializando carnes, como uma iniciativa familiar que evoluiu para se tornar um dos maiores frigoríficos no Nordeste do Brasil e um dos grandes exportadores do setor. Em entrevista, Marcio Rodrigues, diretor de mercado externo, fala da posição de destaque que a Masterboi chegou de suas ações


Revista +Carne – A Masterboi possui unidades estratégicas em diferentes estados e forte atuação no Nordeste. Como essa estrutura operacional contribui para atender o mercado interno com mais eficiência e competitividade?
Marcio Rodrigues – A Masterboi, hoje, comercializa 85% da sua produção destinada ao mercado interno no Nordeste. A empresa possui quatro unidades produtoras, sendo três unidades de abate e desossa, localizadas em Nova Olinda, no estado do Tocantins, São Geraldo do Araguaia, no estado do Pará, e Canhotinho, no estado de Pernambuco, além de uma unidade de processamento de carne bovina, charque, carne moída, hambúrguer, almôndega, e centro de distribuição em Recife, Marcio Rodrigues, diretor de mercado externo da Masterboi 20 estado de Pernambuco. E mais um centro de distribuição logístico localizado em João Pessoa, na Paraíba.

Revista +Carne – Hoje a Masterboi distribui seus produtos para diversas regiões do Brasil. Como a empresa estruturou sua expansão comercial para alcançar mercados fora do Nordeste?
Marcio Rodrigues – Atualmente, a Masterboi distribui carne bovina para todos os estados do Nordeste, para o Tocantins e o Pará, no Norte. Também distribui no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Esses são os estados onde nós vendemos nossos produtos aqui no mercado brasileiro.

Revista +Carne – A localização das unidades industriais próximas a importantes portos brasileiros é um diferencial logístico da Masterboi. Como essa estratégia impacta a competitividade da empresa nas exportações?
Marcio Rodrigues – As unidades de abate e desossa Masterboi, que são as unidades exportadoras, estão localizadas da seguinte forma: Canhotinho está localizada a 200 km do Porto de Suape, em Pernambuco, o que facilita muito o escoamento da produção através desse porto. A unidade de São Geraldo do Araguaia está a 700 km do Porto de Barcarena no estado do Pará e a 2.200 km do Porto de Santos em São Paulo. Já a unidade de Nova Olinda está a 2.000 km do Porto de Santos em São Paulo e a 900 km do Porto de Barcarena no estado do Pará. Então, essas duas unidades, Nova Olinda e São Geraldo, elas podem escoar sua produção tanto por Barcarena quanto por Santos, em São Paulo. Além disso, a gente também tem a opção de escoar quando necessário, quando existe viabilidade, através do Porto de Pecém, no estado do Ceará. Esse porto também faz parte da rota de escoamento para as exportações.

Revista +Carne – Como a empresa equilibra sua atuação entre exportação e abastecimento do mercado interno?
Marcio Rodrigues – A Masterboi exporta cerca de 27% da sua produção. O Brasil hoje exporta cerca de 30% da produção nacional. Então, o comportamento da empresa acompanha o perfil dos exportadores nacionais. Cerca de 27 a 30% da produção é exportada. A exportação é um segmento forte para Masterboi e complementar. As vendas para o mercado interno são o foco principal da empresa, principalmente na região Nordeste, que concentra 85% das vendas internas da Masterboi.

Revista +Carne – Quais são hoje os principais mercados consumidores da Masterboi no Brasil e no exterior, e como o perfil de consumo varia entre esses destinos?
Marcio Rodrigues – O principal mercado para a Masterboi é a região Nordeste, e dentro do Nordeste o estado de Pernambuco. Já nas exportações, o maior importador da Masterboi é a China, que detém entre 40 e 42% das exportações. Em segundo lugar vêm os mercados árabes, Norte da África e Oriente Médio. Na sequência os países do Sudeste Asiático, como Singapura, Filipinas, Hong Kong.

Marcio Rodrigues, diretor de mercado externo da Masterboi
Marcio Rodrigues, diretor de mercado externo da Masterboi

Revista +Carne – A Masterboi atua em diferentes mercados internacionais, cada um com exigências e perfis específicos. Quais países são considerados estratégicos para a empresa atualmente e quais novas oportunidades estão em desenvolvimento?
Marcio Rodrigues – Hoje, em questão de estratégia de mercado, em primeiro lugar, vem obviamente a China, que é o maior parceiro comercial para produtos agrícolas do Brasil. Em termos de volume, nós temos outros países que são estratégicos, a depender do tipo de produto que eles consomem. Hong Kong, Egito, Líbia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Singapura e Filipinas são mercados estratégicos. E temos outros países que estão em processo de habilitação, como, por exemplo, Indonésia, Malásia, além dos Estados Unidos, que estamos trabalhando para conseguir as licenças. Cada mercado tem um perfil de consumo, cada mercado leva um tipo de produto. Então, os mercados se complementam e vamos buscando sempre as melhores alternativas disponíveis a cada momento.

Revista +Carne – O mercado internacional exige padrões rigorosos de qualidade e segurança dos alimentos. Quais certificações e práticas fazem parte da estratégia da Masterboi para atender essas exigências?
Marcio Rodrigues – As exigências sanitárias internacionais fazem parte do dia a dia da empresa. Todos os frigoríficos, todas as unidades produtoras da Masterboi, inclusive o nosso centro de distribuição em Recife, possuem SIF (Serviço de Inspeção Federal), que é a fiscalização do Ministério da Agricultura dentro das unidades. Além disso, pelo fato da empresa levar muito a sério a questão da qualidade, as unidades da Masterboi todas possuem certificações internacionais, como BRC BRCGS Food Safety, IFS, PAACO, que é o bem-estar animal, possui a certificação halal que nos habilita a vender produtos para o mercado os mercados árabes, os países muçulmanos. E isso já nos qualifica no topo da cadeia, assim, vamos dizer, em termos de qualidade, controles e processos industriais. Então, já faz parte do nosso dia a dia trabalhar com a régua bem alta com relação à qualidade e padrão de produto.

Revista +Carne – Os conflitos no Oriente Médio trouxeram impactos logísticos e econômicos para diversos setores. Como a Masterboi tem lidado com os reflexos desse cenário nas exportações?
Marcio Rodrigues – A questão da guerra no Oriente Médio não só impactou as exportações da Masterboi, mas impactou o mercado como um todo porque houve aumento significativo nos combustíveis, e com isso aumenta o frete, encarece, obviamente, o custo dos alimentos e de qualquer outro produto na ponta, ao consumidor. Então, é um fator que realmente tem impactado e a gente tem buscado alternativas para reduzir esses impactos. Mas em termos de volume, como todo o Brasil, temos uma fatia aproximada de 10% das nossas exportações destinadas ao mercado do Oriente Médio. Obviamente, houve um impacto, mas a gente tem uma grande mobilidade. Nós temos um amplo leque de opções, onde podemos redistribuir essas exportações, inclusive deixando de exportar e destinando mais volume para o mercado interno, que é o nosso principal mercado, buscando aí alternativas para deixar mais suave e aliviar um pouco essa questão da guerra.

Revista +Carne – A rastreabilidade e o compliance socioambiental têm ganhado cada vez mais importância no setor frigorífico. Como a Masterboi conduz esse trabalho dentro da sua cadeia de fornecimento?
Marcio Rodrigues – Com relação à rastreabilidade e garantia de origem, a Masterboi atende todos os protocolos que são exigidos pelos mercados internacionais com os quais a gente mantém relação comercial e também pelos clientes aqui no Brasil, como as grandes redes de supermercado, que exigem, a certificação e a rastreabilidade dos animais que nós abatemos. Então hoje, com muita tranquilidade, e isso é comprovado através das auditorias independentes e das auditorias do Ministério Público Federal, podemos afirmar que a Masterboi tem 100% de compliance socioambiental em toda a sua cadeia de origem de gado.

Revista +Carne – O setor de proteína animal trabalha com margens bastante competitivas. Quais são os principais diferenciais da Masterboi em termos de eficiência operacional, logística e gestão?
Marcio Rodrigues – Acreditamos que, pelo fato de trabalharmos com uma commodity, nós temos que ganhar muito em escala. As commodities tradicionalmente são produtos que se comercializam com margens muito pequenas. Então as empresas têm que ser muito eficientes para poder sobreviver. A Masterboi investe muito em governança, investe em processo, investe em melhoria contínua, redução de custo, otimização e logística. Hoje nós temos a melhor logística de distribuição aqui dos estados do Nordeste. Isso eu falo com plena segurança. Então, o grande diferencial que a gente tem é essa eficiência, é esse contato muito próximo com o nosso cliente, sempre trabalhando com muita humildade, respeito e procurando levar aquilo que é melhor para a mesa do consumidor. A gente acredita muito na garantia de origem, no ESG -, que é um discurso tão proeminente hoje no mercado, a gente acredita que é irreversível e que faz a diferença -, as nossas políticas de qualidade com os nossos certificados reconhecidos internacionalmente, como o IFS, o PAACO, o BRCGS Food Safety – que é mais rigoroso nas indústrias alimentícias. Tudo isso nos coloca numa posição diferenciada no mercado. Nós acreditamos que o relacionamento, a qualidade, a regularidade e a padronização vão nos colocar sempre à frente no mercado, garantindo o nosso crescimento, a nossa perenidade, e o sucesso da empresa.•

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