Segregação de cargas, prevenção de contaminação cruzada, rastreabilidade e protocolos de higienização estão entre os cuidados necessários para preservar a conformidade Halal
Muçulmanos de todo o mundo procuram seguir a recomendação religiosa de consumir, apenas, produtos Halal, ou seja, permitidos de acordo com o Islam. E isso vai muito além de evitar derivados de suíno: além dos processos produtivos, armazenamento, movimentação, distribuição e transporte também merecem atenção, já que podem comprometer a integridade Halal.
É por isso que a certificação Halal de armazéns, centros de distribuição e transportadoras vem ganhando importância em um mercado global que, além de crescer, apresenta cadeias de suprimentos cada vez mais extensas e complexas.
A dimensão desse mercado pode ser observada nos dados da edição 2025/2026 do relatório State of the Global Islamic Economy Report. Somados os seis principais setores de consumo da economia islâmica, os gastos dos consumidores muçulmanos chegaram a US$ 2,60 trilhões em 2024 e devem alcançar US$ 3,56 trilhões em 2029.
Os alimentos ocupam posição central nesse mercado. Em 2024, o segmento movimentou US$ 1,53 trilhão, com projeção de atingir US$ 2,06 trilhões até 2029. O Brasil tem participação relevante nesse cenário: em 2024, exportou US$ 33,3 bilhões apenas para os 57 países da Organização para a Cooperação Islâmica (OIC). E há anos ostenta o título de maior exportador de alimentos Halal do mundo.
Segundo Omar Chahine, diretor de Inteligência Comercial da FAMBRAS Halal Certificadora, para assegurar não só os requisitos Halal, mas também para manter a credibilidade brasileira neste mercado, é preciso ser garantir a conformidade em todas as etapas posteriores à produção. “Especialmente no armazenamento e no transporte, há riscos operacionais que podem comprometer a conformidade do produto até sua chegada ao consumidor final”.
Contaminação cruzada está entre os principais riscos – Um dos pontos de maior atenção nas operações logísticas é a possibilidade de contaminação cruzada entre produtos Halal e não Halal. Ela pode ocorrer pelo contato direto ou indireto entre mercadorias, pelo compartilhamento inadequado de espaços, equipamentos e utensílios ou ainda por falhas nos procedimentos operacionais.
Em armazéns e centros de distribuição, por exemplo, a estocagem inadequada, a ausência de segregação eficiente e problemas durante a movimentação interna podem colocar a conformidade em risco. No transporte, a atenção se volta também para as cargas mistas e para a utilização de veículos que transportam diferentes tipos de mercadorias sem critérios adequados de compatibilidade ou procedimentos validados de higienização.
“O controle da contaminação cruzada é um dos pontos críticos dentro dos padrões Halal. É preciso considerar não apenas onde o produto é armazenado, mas como ele é identificado, movimentado e transportado e com quais outros produtos pode ter contato ao longo desse percurso”, afirma Chahine.
Certificação estabelece controles e rastreabilidade – A certificação Halal aplicada a armazéns, centros de distribuição e transportadoras funciona como um mecanismo de controle e prevenção desses riscos.
Entre as práticas adotadas estão a segregação física ou por fluxo dos produtos, identificação clara das mercadorias, rastreabilidade, protocolos validados de limpeza e higienização e capacitação das equipes envolvidas nas operações. O processo também prevê auditorias periódicas e sistemas de monitoramento para verificar a manutenção dos procedimentos estabelecidos.
Para Chahine, esses controles permitem que a empresa acompanhe a conformidade para além da unidade produtiva. “A rastreabilidade é fundamental. É necessário ter condições de acompanhar o produto ao longo da operação e demonstrar que os procedimentos necessários para preservar sua integridade foram efetivamente cumpridos”, ressalta.
A adoção desses protocolos também contribui para fortalecer a confiança entre os diferentes elos da cadeia. Para uma indústria que produz mercadorias certificadas, contar com operadores logísticos igualmente preparados reduz riscos nas etapas posteriores. Para importadores e clientes, oferece maior segurança de que os requisitos foram preservados durante todo o percurso.
Certificação também pode ser diferencial competitivo – A certificação Halal de armazéns, centros de distribuição e transportadoras também pode se transformar em uma oportunidade de negócios.
“Uma empresa que investe na certificação Halal de sua operação logística demonstra que está preparada para atender às especificidades desse mercado. Além de contribuir para a segurança e a integridade dos produtos, isso fortalece sua reputação, gera confiança e pode abrir novas oportunidades comerciais”, observa Chahine.
De acordo com o diretor, a tendência é que a logística ganhe importância à medida que as cadeias Halal se tornem mais internacionalizadas. “Não basta assegurar a conformidade apenas na origem. Todos os elos precisam estar preparados para preservá-la. Armazéns, centros de distribuição e transportadoras têm, portanto, um papel estratégico na construção de uma cadeia Halal segura, rastreável e confiável”, conclui.
Sobre a FAMBRAS Halal Certificadora
Primeira certificadora Halal do Brasil, em operação desde 1979, a FAMBRAS Halal é líder de mercado na América Latina. Atua com auditorias, inspeção, supervisão de processos e implantação do Sistema de Garantia Halal para empresas que desejam acessar mercados internacionais. (www.fambrashalal.com.br)

