Com recordes históricos de produção e exportação, o Brasil consolida-se como maior exportador e produtor mundial de carne bovina. Para entender melhor esse cenário e os desafios que se impõem, conversamos com Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC)
Por: Erika Ventura
+Carne: Como a ABIEC avalia o posicionamento do Brasil hoje no mercado global de carne bovina, em um cenário de alta concorrência internacional?
ABIEC: O Brasil chega a este momento no topo do mercado global de carne bovina, consolidado como o maior exportador mundial e, neste ano, também como o maior produtor de carne bovina do mundo. Os números de 2025 mostram isso com clareza: o setor exportou cerca de 3,5 milhões de toneladas, com faturamento recorde próximo de US$ 18 bilhões, superando um 2024 que já havia sido excepcional. Mais importante do que o volume é a qualidade desse crescimento. Houve aumento de aproximadamente 20% em volume e 40% em valor, além de elevação do preço médio em torno de 16%, o que indica que o Brasil não apenas vende mais, mas vende melhor. Isso reflete escala, competitividade, capacidade logística e uma base produtiva que consegue atender diferentes mercados e perfis de consumo.
+Carne: Quais mercados seguem sendo estratégicos para a carne brasileira e quais regiões ganham relevância nos próximos anos?
ABIEC: China e Estados Unidos seguem como mercados centrais, tanto em volume quanto em influência sobre o comércio global. Ao mesmo tempo, há mercados que vêm se consolidando de forma consistente, como Chile, União Europeia, Rússia, México, Egito, Filipinas, Indonésia e Arábia Saudita. Para os próximos anos, a Ásia e o Sudeste Asiático ganham ainda mais relevância, impulsionados pelo crescimento econômico e pelo aumento do consumo de proteínas. Além disso, a ABIEC acompanha com atenção os processos de abertura e intensificação em mercados como Japão, Vietnã, Coreia do Sul e Turquia, que não geram grandes volumes imediatos, mas ampliam a base e a sustentabilidade das exportações no médio prazo.
+Carne: A China anunciou a imposição de tarifas adicionais sobre as importações de carne bovina. Como a ABIEC avalia esse movimento e quais impactos ele pode trazer?
ABIEC: A China continuará sendo um mercado relevante para a carne bovina brasileira, mas o novo cenário exige gestão e previsibilidade. A sinalização de um volume anual em torno de 1,1 milhão de toneladas representa uma redução significativa em relação aos anos anteriores e traz impacto potencial para toda a cadeia. Por isso, a ABIEC avalia que o principal desafio é evitar movimentos desordenados, como uma corrida no primeiro semestre e um desequilíbrio no segundo. A entidade atua em diálogo permanente com o governo federal para buscar soluções que mitiguem esses impactos, envolvendo negociação com a China, avaliação de cargas em trânsito e instrumentos que garantam estabilidade para indústrias e pecuaristas.
+Carne: O que diferencia o Brasil de outros grandes exportadores, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, na disputa por mercados internacionais?
ABIEC: O Brasil reúne um conjunto de fatores difíceis de replicar. Há escala produtiva, disponibilidade de insumos, base competitiva de custos e uma capacidade logística que permite atender diferentes mercados simultaneamente. Além disso, o país exporta para mais de 177 destinos, o que reduz a dependência de um único mercado. Outro diferencial relevante é a evolução tecnológica da pecuária brasileira, com ganhos expressivos de produtividade, uso de ferramentas como inseminação artificial e integração lavoura-pecuária, permitindo manter a oferta mesmo em cenários mais desafiadores. Isso dá ao Brasil flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado internacional.
+Carne: Além do preço, quais fatores têm pesado cada vez mais nas decisões dos países importadores?
+Carne: O que diferencia o Brasil de outros grandes exportadores, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, na disputa por mercados internacionais?
ABIEC: O Brasil reúne um conjunto de fatores difíceis de replicar. Há escala produtiva, disponibilidade de insumos, base competitiva de custos e uma capacidade logística que permite atender diferentes mercados simultaneamente. Além disso, o país exporta para mais de 177 destinos, o que reduz a dependência de um único mercado. Outro diferencial relevante é a evolução tecnológica da pecuária brasileira, com ganhos expressivos de produtividade, uso de ferramentas como inseminação artificial e integração lavoura-pecuária, permitindo manter a oferta mesmo em cenários mais desafiadores. Isso dá ao Brasil flexibilidade para se adaptar às mudanças do mercado internacional.
+Carne: Além do preço, quais fatores têm pesado cada vez mais nas decisões dos países importadores?
ABIEC: Preço segue importante, mas não é mais o único fator. Sustentabilidade, rastreabilidade, requisitos sanitários, regularidade de entrega e credibilidade do sistema de inspeção ganharam peso nas decisões dos importadores. Os países compradores querem previsibilidade, segurança de origem e garantias de que a produção segue padrões ambientais e sociais reconhecidos internacionalmente. Esse conjunto de fatores passou a ser determinante, especialmente em mercados mais exigentes.