Infraestrutura precária eleva custos e reduz competitividade da carne brasileira

Infraestrutura precária eleva custos e reduz competitividade da carne brasileira

Por: Erika Ventura

As estradas vicinais, fundamentais para o escoamento da produção agropecuária, seguem como um dos principais gargalos logísticos do país. Um estudo inédito da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com o Grupo Esalq-Log/USP, revelou que o Brasil possui cerca de 2,2 milhões de quilômetros de estradas vicinais, sendo 84,5% delas “não classificadas” — vias estreitas e, em grande parte, mal conservadas. As más condições dessas rotas elevam os custos operacionais do transporte rural em R$ 6,4 bilhões por ano, totalizando um prejuízo anual de R$ 16,2 bilhões para o agronegócio.

Segundo Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, o impacto é ainda mais grave para a cadeia da proteína animal. “Caminhões que transportam animais vivos ou produtos perecíveis enfrentam trepidações, atoleiros e pontes danificadas que aumentam o consumo de combustível e o desgaste dos veículos. As viagens ficam mais longas e menos previsíveis, o que eleva o custo do frete e reduz a eficiência das operações”, explica.

Elisangela alerta que o problema ultrapassa o aspecto financeiro. “As más condições de tráfego afetam diretamente a qualidade dos produtos. No transporte de carnes e derivados, o controle de temperatura é prejudicado, aumentando o risco de perdas físicas e qualitativas. Atrasos no recebimento também alteram cronogramas e custos de produção nos frigoríficos, especialmente em períodos de chuva”, afirma.

Para mudar esse cenário, a especialista destaca que é preciso focar os investimentos nas regiões identificadas como prioritárias pelo Índice de Priorização das Estradas Vicinais (IPEV), lançado pela CNA. Entre as soluções estão o planejamento estruturado de manutenção, a criação de consórcios intermunicipais e o uso de tecnologias de baixo custo e maior durabilidade. “Com gestão técnica e planejamento permanente, é possível reduzir perdas, melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais e aumentar a competitividade do agro brasileiro”, conclui.

Acesse o estudo completo: Panorama_Estradas_Vicinais_Brasil.pdf

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