Conflito no Oriente Médio gera especulações, mas impacto direto nas exportações de carne bovina brasileira tende a ser limitado

Conflito no Oriente Médio gera especulações, mas impacto direto nas exportações de carne bovina brasileira tende a ser limitado

Presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da CNA pede cautela nas análises e destaca que principais rotas comerciais do Brasil não passam pelo estreito de Ormuz

As recentes tensões no Oriente Médio, após ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e a possibilidade de fechamento do estreito de Ormuz, provocaram especulações no mercado internacional e reflexos no setor pecuário brasileiro. No entanto, segundo a Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária – CNA, os impactos diretos para as exportações de carne bovina do Brasil tendem a ser limitados.

De acordo com o presidente da comissão, Cyro Penna, o mercado do boi gordo vinha apresentando desempenho positivo em 2026 antes do surgimento das notícias sobre o conflito. “O mercado do boi gordo subiu 9,1% de janeiro ao início de março, impulsionado pela maior concorrência pelo animal, pela boa demanda interna e pelas exportações aquecidas”, afirma.

Com a escalada das tensões no Oriente Médio, surgiram análises que apontavam possíveis impactos logísticos para o comércio global. No entanto, Penna ressalta que muitas dessas interpretações carecem de fundamento. “Muitas dessas especulações surgiram sem base e acabam desestruturando o mercado, justamente em um momento de menor oferta de animais e redução nas escalas de abate”, diz.

Embora o estreito de Ormuz seja estratégico para o transporte de petróleo e gás natural, ele representa uma parcela relativamente pequena do fluxo global de contêineres, estimada entre 2% e 3%.

Além disso, as principais rotas de exportação da carne bovina brasileira não passam pela região do conflito. A China, que responde por quase 50% dos embarques do Brasil, recebe a proteína por rotas marítimas que contornam a África, via Cabo da Boa Esperança. Outros mercados relevantes, como Estados Unidos, Chile e México, também utilizam rotas comerciais fora da área afetada.

No caso do Oriente Médio, a região representou 6,8% da receita e 6,5% do volume exportado pelo Brasil em 2025. Quando considerados apenas países próximos ao estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, essa participação fica abaixo de 4%.

Para Penna, mesmo diante das tensões geopolíticas, não há indicativos de interrupção nas compras de carne brasileira. “Os desdobramentos de conflitos sempre preocupam, mas é fundamental cautela nas análises para evitar prejuízos e danos estruturais à cadeia da carne bovina, especialmente ao produtor rural”, conclui.

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