Por: Erika Ventura
A tilápia se consolidou como o principal pescado consumido pelos brasileiros e ocupa posição de destaque na aquicultura nacional. Nos últimos anos, a atividade apresentou crescimento consistente, impulsionada pelo avanço tecnológico, pela profissionalização dos produtores e pelo aumento da demanda por proteínas de origem animal consideradas saudáveis e acessíveis.
Segundo dados da Peixe BR, a produção brasileira de tilápia registrou crescimento médio superior a 10% ao ano nos últimos 12 anos. Em outras palavras, em 2025, o consumo per capita do pescado alcançou 3,5 kg por habitante ao ano, consolidando a espécie como a mais consumida do país.
Mas por trás desse crescimento existe uma cadeia produtiva complexa e cada vez mais estruturada.
O início da cadeia
Tudo começa nos laboratórios e centros de reprodução, responsáveis pela produção dos alevinos, os peixes jovens que serão destinados às fazendas aquícolas. Desse modo, o foco está na seleção genética, na qualidade sanitária e no desenvolvimento de animais com maior potencial produtivo. Ou seja, a qualidade dos alevinos influencia diretamente o desempenho do cultivo, afetando índices como ganho de peso, conversão alimentar e resistência a doenças.

Cultivo e engorda
Após a fase inicial, os peixes seguem para os sistemas de produção. No Brasil, destacam-se os cultivos em viveiros escavados e em tanques-rede instalados em reservatórios e represas.
Durante a engorda, os produtores utilizam tecnologias de monitoramento da qualidade da água, manejo alimentar e controle sanitário. Desse modo, a nutrição adequada e o acompanhamento técnico são fundamentais para garantir produtividade e bem-estar animal.
Estados como São Paulo têm se destacado nesse segmento graças à disponibilidade hídrica, às condições climáticas favoráveis e ao elevado nível tecnológico empregado nas propriedades. Além disso, o suporte técnico oferecido por instituições de pesquisa contribui para o aumento da eficiência produtiva.
Processamento industrial
Quando os peixes atingem o peso ideal para abate, entram na etapa industrial. Os frigoríficos realizam o processamento, transformando a matéria-prima em diferentes produtos destinados ao mercado.
O filé fresco é atualmente o principal produto comercializado, especialmente nas exportações. No entanto, a indústria também aproveita subprodutos como pele, escamas, óleo e farinha de peixe, ampliando o aproveitamento da matéria-prima e agregando valor à cadeia.
Distribuição e mercado consumidor
Após o processamento, os produtos seguem para supermercados, atacadistas, restaurantes e distribuidores. O crescimento da presença da tilápia nos pontos de venda foi um dos fatores que impulsionaram seu consumo no Brasil.
As regiões Sudeste, Sul e Nordeste concentram os maiores mercados consumidores, acompanhando a expansão da produção nacional.
No mercado internacional, o Brasil já ocupa a posição de quarto maior produtor mundial de tilápia. As exportações têm como principais destinos os Estados Unidos e o Canadá, mercados que valorizam especialmente o filé fresco brasileiro pela qualidade e pelo frescor.
Desafios para o crescimento do setor
Apesar dos avanços, a cadeia produtiva da tilápia ainda enfrenta desafios importantes. Questões sanitárias, como a prevenção ao vírus TiLV (Tilapia Lake Virus), exigem monitoramento constante e investimentos em biossegurança.
Além disso, produtores e entidades do setor apontam desafios regulatórios e tributários que impactam a competitividade da produção nacional diante dos concorrentes internacionais.
Mesmo assim, especialistas avaliam que o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar sua participação no mercado global, graças à combinação de recursos hídricos, clima adequado, tecnologia e capacidade produtiva. Com investimentos contínuos em inovação e gestão, a cadeia produtiva da tilápia tende a seguir como uma das mais promissoras da aquicultura brasileira.

