Por: Erika Ventura
As embalagens deixaram de exercer apenas a função de proteger os alimentos. Hoje, elas são parte estratégica da cadeia produtiva, contribuindo para ampliar a vida útil dos produtos, garantir a segurança alimentar, reduzir desperdícios e atender às crescentes demandas por sustentabilidade. As principais tendências mundiais foram apresentadas durante a Interpack, considerada a maior feira global do setor, e começam a influenciar também o mercado brasileiro.
Segundo Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens, quatro movimentos devem nortear a evolução das embalagens para alimentos nos próximos anos: o crescimento das estruturas monomateriais recicláveis, a redução da quantidade de material utilizado, o avanço das embalagens à base de papel com propriedades de barreira e a incorporação de tecnologias voltadas à automação e à rastreabilidade.
“No segmento de proteínas, as inovações apresentadas tiveram como principal objetivo ampliar a preservação do frescor e da segurança dos produtos, ao mesmo tempo em que reduzem o consumo de plástico e aumentam a eficiência logística da cadeia do frio”, explica.
Entre as mudanças que já começam a aparecer no Brasil está a adoção de embalagens flexíveis do tipo flow-pack para carne moída e outras proteínas, substituindo o tradicional conjunto formado por bandeja e filme plástico. A mudança reduz o consumo de materiais, melhora a eficiência logística e diminui o impacto ambiental ao longo da cadeia.

Além da sustentabilidade, outro desafio da indústria é equilibrar segurança dos alimentos e shelf life sem comprometer a eficiência operacional. Para isso, o setor tem investido em materiais de alta barreira, embalagens a vácuo, atmosfera modificada e filmes mais leves produzidos com materiais recicláveis ou de fonte renovável. “Na prática, isso significa menos perdas ao longo da cadeia, mais segurança para o consumidor e maior vida útil dos produtos”, destaca Assunta.
A tecnologia também avança dentro das linhas de produção. Sistemas de rastreabilidade, controle de peso, detecção de contaminantes, monitoramento de vazamentos de gases e codificação já operam integrados a plataformas inteligentes de inspeção online, capazes de analisar cada embalagem em tempo real, identificar não conformidades e retirar automaticamente produtos com defeitos da linha de produção.
Para a diretora do Instituto de Embalagens, o Brasil já possui capacidade técnica e empresas aptas a desenvolver soluções alinhadas às principais tendências internacionais. O principal desafio, entretanto, está na velocidade de adoção dessas tecnologias.
“O Brasil segue na direção correta e reúne condições para acelerar sua transformação. No entanto, ainda existe uma distância em relação aos mercados mais maduros quando o tema é a implementação em larga escala de modelos circulares, a digitalização integrada das cadeias produtivas e a consolidação dessas práticas como padrão de mercado”, conclui.

