Desde a sua origem, a Frimesa sempre apostou na comercialização de carne suína. No início, o volume de vendas era predominantemente de carcaças, mas, com o passar do tempo e os avanços na modernização industrial, a empresa passou a investir fortemente no processamento de cortes para atender tanto ao mercado interno quanto à exportação. A Frimesa fez um estudo para entender exatamente este ‘novo momento” do consumidor e trouxe inovações que englobam novos conceitos para a carne suína
Por: Juçara Pivaro
A carne suína vive um momento de transformação no mercado brasileiro e passando a ser mais valorizada e tem também o atrativo do custo, significativamente menor do que outras proteínas. Mais do que oferecer cortes tradicionais, a indústria tem investido em inovação, conveniência e experiências gastronômicas capazes de agregar valor à proteína e atender às novas exigências do consumidor. Na Frimesa, essa estratégia passa pelo desenvolvimento de produtos que unem praticidade, saudabilidade, qualidade e rastreabilidade, além do aproveitamento integral da carcaça como forma de aumentar a eficiência e a sustentabilidade da cadeia produtiva.
A valorização dos cortes começa pela mudança de percepção do consumidor. Em vez de comercializar apenas a proteína in natura, a cooperativa aposta em soluções completas de consumo. Um dos exemplos é o pernil, tradicionalmente associado às festas de fim de ano, que ganhou novas versões e passou a ser oferecido durante todo o ano em produtos como hambúrgueres artesanais e refeições prontas. Dessa forma, um corte antes sazonal amplia sua presença no cotidiano dos brasileiros.
Novo perfil de consumidor e comida de verdade
Claudecir Antonio Dos Santos, gerente corporativo P&DI, destaca: “a Frimesa fez um estudo profundo para entender porque o consumidor mudou muito para entender exatamente este “novo momento” e disponibilizou ao mercado a linha Fogo & Sabor, desenvolvida para atender consumidores que buscam praticidade sem abrir mão da qualidade. Cortes como picanha suína, panceta e costela chegam ao mercado já porcionados e temperados, prontos para o preparo em equipamentos cada vez mais presentes nas residências, como a Air Fryer, além do forno ou da grelha. A proposta acompanha uma importante mudança no perfil das famílias brasileiras, cada vez menores e com menor disponibilidade de tempo para cozinhar, reduzindo também o desperdício de alimentos.
A saudabilidade, por sua vez, envolve a busca por alimentos com perfil nutricional equilibrado, redução de sódio e gorduras e rótulos mais limpos, reforçando a imagem da carne suína como uma proteína adequada para o consumo diário”.
O conceito de conveniência tornou-se um dos pilares da estratégia da Frimesa. A cooperativa identifica que, principalmente entre os consumidores mais jovens, existe uma demanda crescente por refeições rápidas, mas que mantenham qualidade nutricional e sabor. Nesse contexto, surgem soluções prontas e semiprontas que preservam o conceito de “comida de verdade”, além de proteínas já cozidas e prontas para aquecer, permitindo que cada consumidor escolha os acompanhamentos de acordo com sua preferência.
Além da praticidade, o consumidor moderno passou a exigir uma combinação de atributos que vai muito além do preço. Segundo a Frimesa, quatro fatores tornaram-se fundamentais para o sucesso dos cortes suínos: praticidade, saudabilidade, experiência premium e confiança na origem
As embalagens também passaram por adaptação e fazem parte dessa estratégia. A empresa passou a oferecer porções menores, adequadas ao consumo imediato e ao perfil de famílias reduzidas, contribuindo para minimizar perdas e reforçando seu compromisso com a sustentabilidade.
Gastronomia e cortes premium
O aspecto gastronômico também ganhou importância. O consumidor deseja reproduzir em casa experiências semelhantes às encontradas em restaurantes especializados. Para atender a essa expectativa, a Frimesa ampliou seu portfólio com cortes premium, como o Bife de Chorizo e o Ancho suíno, oferecendo produtos diferenciados que combinam sofisticação, praticidade e preço competitivo.
Outro diferencial valorizado pelo mercado é a transparência da cadeia produtiva. A rastreabilidade dos animais, o bem-estar animal e as práticas ligadas à sustentabilidade passaram a influenciar diretamente a decisão de compra. Nesse cenário, o Selo Suíno Certificado da Frimesa representa uma garantia de origem, rastreabilidade integral e adoção de práticas alinhadas aos princípios ESG, fortalecendo a confiança do consumidor.
No processamento industrial, a valorização da carne suína também está diretamente relacionada ao aproveitamento integral da carcaça. A cooperativa busca direcionar cada parte do animal para o mercado mais adequado, agregando valor por meio da industrialização. Cortes que não seguem para o segmento premium são utilizados na fabricação de embutidos, bacon, hambúrgueres e outros produtos processados, reduzindo desperdícios e aumentando a rentabilidade.
De olho no mercado internacional
A estratégia inclui ainda uma forte atuação no mercado internacional. A exportação permite comercializar cortes e miúdos que possuem elevada demanda em determinados países, ampliando o aproveitamento da produção. Paralelamente, investimentos em pesquisa, desenvolvimento de novos produtos, capacitação das equipes e inovação tecnológica contribuem para elevar a eficiência operacional e fortalecer a sustentabilidade da cadeia.
Embora muitos dos cortes valorizados sejam os mesmos no Brasil e no exterior, as formas de consumo apresentam diferenças importantes. A sobrepaleta, por exemplo, é amplamente apreciada na Ásia em fatias finas preparadas com shoyu, mel e especiarias, enquanto na América Latina costuma ser preparada na parrilla. A barriga também ganha destaque na culinária asiática, servida em caldos condimentados à base de shoyu, enquanto a costela é exportada para esse mercado para preparações com molhos agridoce do tipo barbecue.
Já o lombo costuma ser consumido assado e em receitas agridoces, enquanto cortes como pernil e paleta encontram diferentes aplicações conforme o destino: na América Latina são amplamente utilizados na indústria de produtos processados, enquanto na Ásia também são destinados ao preparo de caldos e outras receitas tradicionais.
Esse conjunto de estratégias demonstra que a valorização da carne suína depende cada vez mais da capacidade da indústria em combinar inovação, conveniência, qualidade e inteligência de mercado. Ao transformar cortes tradicionais em soluções práticas e alinhadas aos novos hábitos de consumo, o setor amplia o valor agregado dos produtos, fortalece sua competitividade e cria novas oportunidades tanto no mercado interno quanto nas exportações.