Foodtech brasileira e frigorífico apostam em proteína sem refrigeração, de olho em mercado de shelf-stable meals que deve chegar a US$ 129,8 bilhões até 2034

Lançamento Nobars

Com aporte de US$ 1 milhão em nova planta industrial em Socorro (SP), Intelligent Foods e Comercial de Alimentos Talismã lançam a marca NoBars


O mercado global de shelf-stable meals, que refeições prontas que dispensam refrigeração graças a processos de conservação que garantem estabilidade em temperatura ambiente, foi avaliado em US$ 98,7 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 129,8 bilhões em 2034, um crescimento anual médio de 5,2%, segundo relatório da consultoria MarketIntelo. 

O apelo por atributos nutricionais também cresce entre os consumidores brasileiros. Um levantamento da consultoria Kantar mostra que, em 2023, mais da metade dos lares do país declararam buscar ativamente alimentos associados a benefícios funcionais, como maior teor de proteína, redução de açúcar ou presença de fibras. Já o mercado global de proteínas movimentou US$ 24,49 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 32,42 bilhões até 2029, de acordo com a consultoria Mordor Intelligence.

É nesse cenário que a Intelligent Foods, foodtech brasileira especializada em conservação de alimentos sem refrigeração, e o frigorífico Comercial de Alimentos Talismã lançam a NoBars, marca que entrega proteína a partir de um filé de peito de frango pronto para consumo, temperado apenas com ingredientes naturais. É a primeira marca que a Intelligent Foods desenvolve em sociedade, o que exigiu um projeto construído do zero: dimensionamento de nova infraestrutura, investimento em equipamentos e uma planta operacional própria, instalada na unidade da Talismã em Socorro, interior de São Paulo. Até o momento, a linha recebeu aporte de aproximadamente US$ 1 milhão. O lançamento é parte de um projeto maior de proteínas shelf stable pro foodservice.

Em vez de concentrados proteicos e longas listas de ingredientes, o snack passa pelo processo proprietário de conservação da Intelligent Foods, que garante praticidade e uma vida útil inicial de quatro meses sem necessidade de refrigeração.

Cada unidade tem 35g de proteína, o equivalente a aproximadamente 130g de peito de frango, com apenas um ingrediente e as especiarias. Os sabores disponíveis são original, lemon pepper e italiano, e o produto estará disponível para venda ao consumidor final a partir de setembro de 2026, por meio de e-commerce.

A Talismã hoje vende produto congelado, mas o custo da cadeia do frio, no transporte e na armazenagem, é alto, e cada vez mais operações têm dificuldade para estocar produtos congelados. Com um produto em temperatura ambiente, o preparo também é mais rápido. A parceria está mirando o mercado de food service que é gigantesco e hoje é disputado por grandes players.

A NoBars utiliza a Tecnologia IF de Conservação Saudável, processo de esterilização que combina calor e pressão para eliminar microrganismos e bactérias presentes nos alimentos, garantindo segurança microbiológica, vida útil mais longa e alta qualidade sensorial. A esterilização térmica em si não é uma novidade e já é usada pela indústria alimentícia há décadas. O diferencial da Intelligent Foods está na forma como ela é aplicada e nos resultados alcançados. Ao longo dos anos, a tecnologia já foi validada em mais de 100 produtos diferentes, entre temperos, bebidas lácteas, sucos de frutas, refeições completas, partes ósseas de bovinos, proteínas diversas, acompanhamentos, sopas, molhos, preparações funcionais e snacks, o que demonstra a capacidade de atender diferentes categorias de alimentos, canais de distribuição e perfis de consumidor.

Para Roberto Jacob, diretor da Comercial de Alimentos Talismã, frigorífico que iniciou suas atividades em Socorro, São Paulo, em 2004, essa parceria é um passo estratégico porque a empresa sempre trabalhou com produtos congelados. “Nos próximos cinco anos, os grandes players de cozinhas industriais e food service vão estar focados em fornecedores que entreguem produtos semiprontos, já assados ou cozidos, para fazer apenas a finalização, com molhos e temperos próprios. A escassez de mão de obra é hoje um gargalo para o setor, e quanto mais a indústria facilitar esse processo, mais o mercado vai exigir isso. Acredito que essa mudança vai acontecer muito antes do que imaginávamos e por isso decidimos investir neste mercado também”, finaliza.

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