Campanha Abril Verde expõe falhas operacionais na prevenção de acidentes de trabalho

Campanha Abril Verde expõe falhas operacionais na prevenção de acidentes de trabalho

Dados nacionais indicam que gestão de risco ineficiente ainda compromete a segurança nas rotinas produtivas

Estamos vivendo a campanha Abril Verde, que é dedicada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho, e, dentro de suas pautas, um destaque para a prevenção, que ainda é o principal desafio nas operações. De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes e 32 mil mortes entre 2012 e 2024. Isso equivale a um óbito a cada três horas e meia, além de centenas de ocorrências diárias que impactam diretamente a produtividade e o sistema previdenciário.

“A dimensão do problema expõe uma fragilidade recorrente nas rotinas operacionais por conta da ausência de gestão efetiva de risco no momento da execução das tarefas. Em muitos casos, acidentes decorrem de falhas básicas, como desconhecimento dos perigos, ausência de treinamento ou inexistência de procedimentos estruturados de controle”, justifica Geraldo Magela Pereira, engenheiro de segurança do trabalho e consultor da Oppem.

O próprio Ministério Público do Trabalho aponta que irregularidades frequentes vão desde a falta de medidas simples de proteção até a incapacidade de identificar riscos no ambiente laboral. Nesse contexto, a Análise Preliminar de Risco (APR) assume papel central. Quando bem aplicada, ela deixa de ser um documento formal e passa a ser um instrumento operacional. 

“A APR eficiente antecipa cenários críticos, define controles claros e orienta a execução segura da atividade. Além de mapear riscos, a dinâmica também é útil para garantir que cada etapa do trabalho esteja acompanhada, com verificação contínua das condições reais no campo. A distância entre o procedimento escrito e a prática é, muitas vezes, o ponto onde o acidente acontece”, completa Geraldo.

Entretanto, a execução acompanhada é outro fator decisivo. A presença de supervisão técnica, a validação das condições antes do início da tarefa e o monitoramento durante a atividade reduzem significativamente a exposição ao risco. O trabalho seguro não se sustenta apenas em normas, mas na disciplina operacional. Em setores como construção civil e indústria, onde há maior incidência de acidentes, a ausência desse acompanhamento contribui para a repetição de falhas já conhecidas.

Outro ponto sensível, ainda pouco explorado nas rotinas corporativas, é o direito de recusa à tarefa. Previsto nas normas de segurança, ele permite que o trabalhador interrompa uma atividade ao identificar risco grave e iminente à sua integridade. Trata-se de um mecanismo de proteção essencial, mas que depende de cultura organizacional para ser efetivo. Em ambientes onde há pressão por produtividade ou falhas de comunicação, o direito tende a ser ignorado ou subutilizado.

“A consolidação desse direito exige clareza de processos. O trabalhador precisa saber identificar o risco, comunicar a situação e ter respaldo imediato da liderança. Do lado da gestão, é necessário estruturar fluxos que garantam resposta rápida e correção da condição insegura. Sem isso, a recusa à tarefa deixa de ser uma ferramenta preventiva e passa a ser vista como ruptura operacional”, disse o consultor da Oppem.

Até porque, os números reforçam a urgência dessa abordagem. “O Brasil registra um acidente de trabalho a cada 48 segundos, evidenciando que o problema não está apenas na norma, mas na execução. A campanha Abril Verde, portanto, ganha relevância ao deslocar o debate para além da conscientização e direcioná-lo para a prática”, finaliza Geraldo.

Sobre a Oppem
Com 8 anos de atuação, a Oppem nasceu em 2018 com um propósito claro: simplificar e digitalizar a gestão contratual das maiores indústrias do país. Criada por engenheiros com mais de uma década de experiência em obras industriais, carregamos uma visão muito prática dos desafios que existem no dia a dia. Hoje, a empresa atua em diversos setores, da Siderurgia ao Alimentício, com mais de 2 mil contratos digitalizados e 6,5 mil usuários ativos em todo o Brasil.

Seu propósito é transformar burocracia em eficiência e dados em decisões estratégicas. Como integrantes da IBRACONT (Instituto Brasileiro de Administração Contratual), reforçam seu compromisso com as melhores práticas do mercado e com a constante evolução da gestão contratual. Com tecnologia própria e metodologias ágeis, a Oppem minimiza a burocracia dos processos, reduz o tempo de execução e fortalece a confiança nos registros, contribuindo para auditorias mais precisas e gestões mais inteligentes.

Imagem – Freepik

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